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Revista Nossa América - Edição 50

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Editorial

O Memorial da América Latina tem dupla motivação para convidá-los a bordo desta edição especial da Revista Nossa América. Primeiro, porque vivemos o aniversário de 25 anos da instituição que surgiu em 1989. Depois, porque esta é a edição de numero 50 da revista, que nasceu simultaneamente com o Memorial.

A editora Leonor Amarante formatou uma proposta que combinasse o resgate de textos considerados de grife e veiculados nas edições desses últimos 25 anos. Uma publicação com o perfil
da Revista Nossa América não chega impunemente ao número 50, ainda mais sendo de uma instituição cultural pública. A tarefa de escolher os melhores trabalhos não foi fácil, dada a qualidade editorial e o contexto histórico que permearam as pautas concebidas nesse período.

É o caso, por exemplo, do saboroso ensaio que o escritor Ignácio de Loyola Brandão fez sobre a atriz Rita Hayworth. “Nunca houve uma mulher como Gilda”. A frase eternizou a atriz,
que nunca chegou ao Oscar apesar dos papeis que encarnou na tela. O texto, publicado na edição inaugural da revista, fez parte da primeira fornada da Coleção Memo de publicações.

A literatura sempre teve lugar de destaque nas páginas da revista, coerente com seus objetivos e propostas editoriais. À guisa de homenagem, no panteão de escritores latino-americanos que emprestaram o privilégio de seu talento à revista destacamos nomes como Gabriel Garcia Márquez, Octávio Paz, Vargas Llosa, Jorge Luis Borges, Eduardo Galeano e os brasileiros Antonio Cândido, Haroldo de Campos, Jorge Amado, entre outros. E nesta edição especial, reeditamos o antológico artigo do escritor paraguaio Roa Bastos, um dos que foram agraciados pelo Memorial da América Latina com o Prêmio de Literatura em 1989. Traduzido por Eric Nepomuceno, o texto de Roa Bastos é uma contundente réplica às críticas que vinha recebendo por ter queimado os originais de um romance intitulado El fiscal.

Outra pérola resgatada nesta edição é o ensaio Vida em tempos escuros que o professor de Literatura Brasileira, Zenir Campos Reis, dedicou à obra do escritor Lima Barreto, publicado em
1990. Por que América “Latina” e o que a região significa no mapa geográfico do globo terrestre? As respostas estão no bem apurado texto do pesquisador colombiano Enrique Yepes, da Faculdade Bowdoin, no estado do Maine, EUA.

A propósito, também é válido dizer que, quando o Memorial nasceu, São Paulo não tinha grande ligação com a América Latina. E hoje, embora o cenário seja outro, ouso dizer, questionado pela jornalista Ana Maria Ciccacio, que é preciso repensar o papel do Memorial como centro nervoso das relações latino- americanas, tal como foi concebido. Não há dúvida que o conceito de integração dos povos latino-americanos continua atual, mas carregado de novos desafios.

E o Memorial tem se esforçado, permanentemente, no sentido de alimentar o diálogo com a imensa e rica diversidade cultural de nossa grande pátria latino-americana. Esse é um recorte também da conversa do diretor de Atividades Culturais do Memorial, Felipe Macedo, com a jornalista Tania Rabello. Sob sua direção, a Praça Cívica abriga a Feira de Cultura Popular Latino-Americana, projeto de popularização do Memorial aos sábados, com múltiplas atividades que vão desde um parque infantil, inúmeras atrações culturais, barracas com gastronomia do continente e shows musicais.

“A cultura é como se fosse a pele da alma”. A metáfora resume o que pensa Marília Franco, recém-chegada ao Memorial para assumir a direção do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (Cbeal). Entrevistada por Reynaldo Damázio, a professora da USP, dona de rica formação em cinema latino-americano, revela que, entre seus projetos, pretende criar uma política de comunicação que permita o acesso democrático mais amplo à informação e ao conhecimento produzido pelo Cbeal. Aproveitando o gancho: já estamos preparando o 9º Festival do Cinema Latino-Americano, sempre esperado e de sucesso. Sucesso que também marcou o Festival Ibero-Americano de Teatro, realizado em abril deste ano, como avalia o produtor do evento, Luís Avelima, em entrevista a Leonor Amarante.

Para quem está ávido por informações públicas sobre o restauro do Auditório Simón Bolivar, o diretor administrativo e financeiro Sérgio Jacomini comparece aqui para falar do nosso empenho em ter de volta o mais rapidamente possível essa preciosidade temporariamente perdida.

“A América Latina é como um sentimento. É só uma questão de despertar”. A frase não é de um intelectual. Foi captada da boca de um jovem visitante pela repórter Luana Schabib em suas incursões pela praça do Memorial. O rapaz tentava, sim, explicar a América Latina a partir de sua percepção sobre o que é o Memorial. A praça é emblemática e oferece análises interessantes, como a do “diálogo” entre as cores da flor tropical e o sangue da Mão da América, esculturas que convivem no mesmo espaço, e assim vistas pela jornalista Juliana Monachesi, editora da revista Harper’s Bazaar Brasil.

Ainda nesta edição histórica: Joelma Gomes esteve na Biblioteca Latino-Americana, resgatou a história de sua criação e conferiu como anda o seu acervo. No outro lado da praça, Karla Oliveira foi passar a limpo a agitada agenda da Galeria Marta Traba. Confiram ainda a reportagem sobre o Cineclube Latino-Americano, criado em 2012 e que já atrai a atenção de cinéfilos e da mídia.

Boa Leitura!
João Batista de Andrade é Diretor-Presidente da Fundação Memorial da América Latina

 

 

 

Revista Nuestra América - Edición 50

Edición 50 (pdf)

Editorial

El Memorial de América Latina tiene una doble motivación para invitarlos a bordo de esta edición especial de la Revista Nuestra América. En primer lugar, porque vivemos el aniversario de 25 años de la institución que surgió en 1989. En segundo, porque ésta es la edición de número 50 de la revista, que nació simultáneamente con el Memorial.

La editora Leonor Amarante formateó una propuesta que combinase el rescate de textos considerados de marca y vehiculados en las ediciones de estos últimos 25 años. Una publicación con el perfil de la Revista Nuestra América no llega impunemente al número 50, sobre todo si proviene de una institución cultural pública. La tarea de elegir los mejores trabajos no fue fácil, dada la calidad editorial y el contexto histórico que permearon las pautas concebidas en dicho periodo.

Éste es el caso, por ejemplo, del sabroso ensayo que el escritor Ignácio de Loyola Brandão escribió sobre la actriz Rita Hayworth. “Nunca hubo una mujer como Gilda”. La frase eternizó
la actriz, que nunca obtuvo un Oscar a pesar de los papeles que encarnó en la pantalla. El texto, publicado en la edición inaugural de la revista, formó parte de la primera hornada de la Colección Memo de publicaciones.

La literatura siempre ocupó un lugar de destaque en las páginas de la revista, coherente con sus objetivos y propuestas editoriales. A modo de homenaje, en el panteón de escritores latinoamericanos que prestaron el privilegio de su talento a la revista destacamos nombres como Gabriel Garcia Márquez, Octavio Paz, Vargas Llosa, Jorge Luis Borges, Eduardo Galeano y los brasileños Antonio Cândido, Haroldo de Campos, Jorge Amado, entre otros. En esta edición especial, reeditamos el antológico artículo del escritor paraguayo Roa Bastos, uno de los que fueron agraciados por el Memorial de América Latina con el Premio de Literatura en 1989. Traducido por Eric Nepomuceno, el texto de Roa Bastos es una contundente réplica a las críticas que venía recibiendo por haber quemado los originales de una novela titulada El fiscal.

Otra perla rescatada en esta edición es el ensayo Vida em tempos escuros que el profesor de Literatura Brasileña, Zenir Campos Reis, dedicó a la obra del escritor Lima Barreto, publicado en 1990. ¿Por qué América “Latina” y qué significa la región en el mapa geográfico del globo terrestre? Las respuestas están en excelente texto del investigador colombiano Enrique Yepes, de la Facultad Bowdoin, en el estado de Maine, EE.UU.

A propósito, también es válido decir que, cuando nació el Memorial, São Paulo no tenía una gran conexión con América Latina. E en la actualidad, aunque el escenario sea distinto, me atrevo a decir, cuestionado por la periodista Ana Maria Ciccacio, que es necesario repensar el papel del Memorial como centro nervioso de las relaciones latinoamericanas, tal como fue concebido. No hay duda de que el concepto de integración de los pueblos latinoamericanos sigue actual, pero repleto denuevos desafíos.

El Memorial se ha esforzado permanentemente en el sentido de alimentar el diálogo con la inmensa y rica diversidad cultural de nuestra gran patria latinoamericana. Éste también es un aspecto de la conversación del director de Actividades Culturales del Memorial, Felipe Macedo, con la periodista Tania Rabello. Bajo su dirección, la Plaza Cívica abriga la Feria de Cultura Popular Latinoamericana, un proyecto de popularización del Memorial que se realiza los sábados, con múltiples actividades que van desde un parque infantil, un sinnúmero de atracciones culturales, carpas con gastronomía del continente y shows musicales.

“La cultura es como si fuese la piel del alma”. La metáfora resume lo que piensa Marília Franco, que hace poco llegó al Memorial para asumir la dirección del Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (Cbeal). Entrevistada por Reynaldo Damázio, la profesora de la Universidad de São Paulo, dueña de una rica formación en cine latinoamericano, revela que, entre sus proyectos, pretende crear una política de comunicación que permita el acceso democrático más amplio a la información y al conocimiento producido por Cbeal. Aprovechando la oportunidad, digo: ya estamos preparando el 9º Festival de Cine Latinoamericano, siempre esperado y exitoso. Este éxito también marcó el Festival Iberoamericano de Teatro, realizado en abril de este año, como lo evalúa el productor del evento, Luís Avelima, en entrevista a Leonor Amarante.

Para aquellos ávidos por informaciones públicas sobre la restauración del Auditorio Simón Bolívar, el director administrativo y financiero Sérgio Jacomini comparece aquí para hablar de nuestro empeño en tener de vuelta lo más rápidamente posible esta preciosidad temporariamente perdida.

“América Latina es como un sentimiento. Sólo se trata de despertarlo”. La frase no proviene de un intelectual. Fue captada de la boca de un joven visitante por la periodista Luana Schabib en sus incursiones por la plaza del Memorial. El muchacho intentaba explicar América Latina a partir de su percepción sobre qué es el Memorial. La plaza es emblemática y ofrece análisis interesantes, como la del “diálogo” entre los colores de la flor tropical y la sangre de la Mano de América, esculturas que conviven en el mismo espacio, y así vistas por la periodista Juliana Monachesi, editora de la revista Harper’s Bazaar Brasil.

Todavía en esta edición histórica: Joelma Gomes estuvo en la Biblioteca Latinoamericana, rescató la historia de su creación y verificó cómo anda su acervo. En el otro lado de la plaza, Karla Oliveira fue a pasar en limpio la agitada agenda de la Galería Marta Traba. Verifiquen también el reportaje sobre el Cineclub Latinoamericano, creado en 2012 y que ya atrae la atención de cinéfilos y de los medios.

¡Buena lectura!
João Batista de Andrade es Director-Presidente de la Fundación Memorial de América Latina

 


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