Armando Freitas Filho

 

“Escrever em pé, significa, às vezes, escrever deitado, meio de improviso. Escrever sentado é que não consigo. Escrevo o que me descobre, o que me levanta.”

Armando Freitas Filho

Nome dos mais importantes dentro do panorama lírico contemporâneo, Armando Freitas Filho comemora, em 2003, quarenta anos de carreira literária, a contar de sua estréia em livro, com Palavra, de 1963. Neste período, conviveu e se deixou marcar por diferentes gerações e propostas criativas. Começou ligado às vanguardas dos anos 50-60, vinculando-se ao movimento Práxis; na década de 70 deixou-se contaminar pelo “desengravatamento” da poesia brasileira promovido pela geração marginal (tendo sido amigo e interlocutor assíduo de uma de suas mais emblemáticas representantes: Ana Cristina César); atravessou a década de 80 apurando a dicção taquicárdica, espasmódica, a imagética marcada pelas idéias de choque e dissolução, a “cachoeira fixa” de versos que tanto batem até que furam, para chegar aos anos 90 com um trabalho onde predomina cada vez mais o viés ensaístico, a escrita vibrando entre “sensação e sentido”, para usar o título de um poema seu, de Duplo cego (1997).

ALGUMA CRÍTICA

O poeta da pós-vanguarda recusa a linguagem a que o público está mais exposto: as estorinhas do jornalês, a empolgação comercial da propaganda. O livro de Armando Freitas Filho mantém esse corte: seus poemas se escrevem contra a linguagem dominante. Isto é, não organizam suas linhas de modo a constituir uma narrativa, a criar um “caso”. Não se incorporam ademais à tendência (previamente aceita) do poema intimista, sequioso por fazer revelações. Muito menos recorrem aos registros já mais divulgados da ironia ou mesmo da paródia.

(Luis Costa Lima, de uma resenha de 3X4).

[…] a dicção de Armando vive mais de espasmos, de contextos abarrocados, de fluxos e dissoluções. Às vezes, ela precisa consumir e consumar o excedente espúrio da forma, a não-beleza, carne-nervo-cárie, o objeto-abjeto, trouvé e indigesto, que rola no peg-pag, em meio ao tiroteio semiótico (a massagem dos meios raspando a pele) onde alguma bala lotérica é real.

(José Miguel Wisnik, no prefácio a De cor).

“Fio terra tensiona. Estira o nervo no movimento da descida, na passagem do que é céu para o que é terreno. Aterra, descarrega, desvia a descarga elétrica do raio destruidor, que cega, para o chão, que absorve […] Fio terra aprofunda suas marcas – o dedo na veia, a língua suja e corriqueira, que larga o lugar-comum, desentranha uma revoada de sustos novíssimos.”

(Cláudia Roquette-Pinto, em matéria na CULT 40, nov. de 2000)

Bibliografia

Entrevista

Depoimento

Antologia