Poetas na Biblioteca

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Verba volant, scripta manent. O antigo adágio, ao contrário do que se pensa, não representa o elogio da palavra escrita, duradoura, contra a fugacidade da comunicação oral. É apenas quando a pronunciamos que a palavra escrita alça vôo, torna-se respiração, som, modulação sensível de nosso pensamento.

Condição de existência da poesia em sociedades ágrafas, as leituras públicas de textos literários, no contexto das megalópoles contemporâneas (inseridas na nova ordem global, sintonizadas com os infomedia), abrem novas possibilidades de recepção para o público sequioso de versos e histórias. A interpretação pode ficar a cargo de atores ou ser feita pelo próprio autor; pode contar com o auxílio de músicos ou de novas tecnologias; pode ocorrer em pequenos auditórios ou em praças, ao ar livre; pode adotar formatos mais tradicionais (jograis & cia.) ou derivar para a performance e a improvisação… Se é o próprio autor quem assume a função de intérprete a assistência tem ainda a oportunidade de conhecer algo dos bastidores do poema, de temperar a impressão causada pelo texto com o depoimento do autor sobre sua formação, influências sofridas e diálogos mantidos com outros autores, idéias acerca do papel social da literatura etc. De qualquer forma, o que importa é a relação direta com a palavra viva, liberta por alguns instantes do cárcere da página.

Pensando nisso, o Memorial da América Latina concebeu o projeto Poetas na Biblioteca. Inserido numa tradição importante de recitais de poesia em São Paulo – como os realizados pelo Instituto Moreira Salles (“O escritor por ele mesmo”), pela Secretaria Municipal de Cultura, pelas livrarias Cultura e Duas Cidades, pelo Espaço Cena, entre outros – tal projeto oferece uma nova alternativa para o encontro do público com a viva voz do poeta, além de debater os rumos da literatura contemporânea por meio do confronto face a face com seus criadores.

Com apresentações realizadas mensalmente desde agosto de 1999, o  projeto Poetas na Biblioteca realizou mais de uma dezena de recitais com autores importantes da poesia brasileira contemporânea, das mais diversas tendências, demonstrando a imensa riqueza de dicções e de projetos criativos. Participaram desses recitais os poetas Haroldo de Campos, Nelson Ascher, Régis Bonvicino, Frederico Barbosa, Heitor Ferraz, Carlito Azevedo, Horácio Costa, Lenora de Barros, Mônica Costa, Glauco Mattoso, Ruy Proença, Sérgio Cohn, Alexandra Maia, Claudio Daniel, Fernando Paixão, Anelito de Oliveira, Antônio Fernando de Franceschi e Roberto Piva. Dois poetas estrangeiros também estiveram no projeto, o norte-americano Douglas Messerli e o peruano, radicado na Argentina, Reynaldo Jiménez. Em algumas dessas leituras participaram, como convidados especiais, críticos literários que promoveram um diálogo com os poetas, contribuindo com um trabalho de reflexão sobre as obras em foco. Em todos os recitais, o debate com o público foi intenso e trouxe à tona detalhes da carpintaria poética de cada autor, suas opiniões estéticas, visões de mundo, dados biográficos e, sobretudo, o depoimento pessoal sobre questões cruciais que envolvem a cultura nesta virada de século.

A partir de agosto de 2000, quando o projeto completou um ano de existência, paralelamente ao evento, o site do Memorial passou a veicular entrevistas com os poetas convidados, além de uma pequena antologia de poemas de cada autor, que estão disponíveis em nosso arquivo.

Conheça as edições anteriores do projeto
Poetas na Biblioteca
Ademir Assunção Poetas da Mario de Andrade II
Alberto Martins Quadrilhas Poéticas
Aníbal Cristobo Rappers
Armando Freitas Filho Reynaldo Jimenez
Augusto Massi Roberto Piva
Glauco Mattoso Rodrigo Garcia Lopes
Jussara Salazar Rubens Rodrigues Torres Filho
Poetas editores Sérgio Alcides

Biblioteca. Entrada Franca.

Biblioteca Latino-Americana Victor Civita

(acesso pelos portões 2, 4 e 5 do Memorial da América Latina).

Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – ao lado da Estação Barra Funda do Metrô