Realidade Latino-Americana Uma visão sobre o programa de extensão da Unifesp

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Fabio Luis Barbosa dos Santos[1]

Parte dos autores do livro sobre Cuba. O professor Fábio é o primeiro à esquerda, de camisa branca.

  1. Antecedentes

Em janeiro de 2000 integrei um grupo de quase cinquenta pessoas que fez uma viagem de solidariedade a Cuba, sob a liderança de Frei Betto. Diferentemente de uma viagem turística à ilha, que, aliás, eu já tinha feito, nessa ocasião tivemos a oportunidade de tomar contato com o Estado cubano e observar os dilemas do seu processo revolucionário a partir de um ângulo inacessível ao turista individual. Em particular, causou impressão a sensibilidade cultivada na ilha, ao menos desde José Martí, pelo tema da unidade latino-americana.

Ao regressar dessa viagem, quatro jovens (entre os quais eu) iniciaram um processo de formação política orientado a levar a Cuba um grupo de quarenta pessoas vinculadas a movimentos populares. Lá haveria uma agenda de visitas e conversas facilitadas pelo ICAP (Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos). Foi um processo complexo e trabalhoso, que envolveu um intenso esforço de organização do grupo e de mobilização de recursos, culminando na realização da viagem em janeiro de 2001. Nela estavam representadas dezenas de organizações sociais e estudantes de diferentes áreas, com algum nível de engajamento social (Projeto Bras Cuba: 2001).

Uma das consequências inadvertidas deste processo, que ficou conhecido como “Projeto Bras Cuba”, foi a aproximação de um grupo de jovens com afinidades políticas e intelectuais. No retorno da viagem este grupo, formado em sua maioria por universitários, constituiu a Associação Nossa América (ANA): um espaço dedicado a difundir a pesquisa e o conhecimento da realidade latino-americana no Brasil, na perspectiva da transformação social.

Dentre as diversas atividades promovidas pela ANA, incluíram-se mais duas viagens a Cuba (projetos Bras Cuba II e III), mas também viagens a outros países latino-americanos que viviam conjunturas de mudança social. A primeira delas foi motivada pela crise política argentina em dezembro de 2001, quando cinco presidentes sucederam-se no período de uma semana. Estive no país no mês seguinte, com outra integrante da associação, às vésperas do Forum Social Mundial, em Porto Alegre. Impactados pela intensa agitação popular que o país vivia, propusemos à ANA uma viagem à Argentina, que se realizou em julho de 2002. Ela envolveu mais de vinte participantes – dois deles vinculados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra). Uma característica distintiva desta experiência é que os viajantes alojaram-se em casas de ex-guerrilheiros, o que propiciou um rico intercâmbio político e geracional.

Em janeiro de 2006, aproveitando a organização do Forum Social Mundial em Caracas e o interesse despertado pelo processo bolivariano em curso na Venezuela, realizou-se uma viagem a esse país. Um de seus organizadores foi Pedro Barros, que posteriormente se tornou técnico do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e chefe da missão desta instituição na Venezuela. Nos anos seguintes, Pedro liderou a organização de viagens à Bolívia (2009) e ao Equador (2010).

Paradoxalmente, nesses mesmos anos, a Associação Nossa América deixou de estar ativa. Em sua última reunião, um integrante comentou que a ANA se tornara uma “Associação de Pais e Mestres”, em alusão à constatação de que muitos de seus integrantes tiveram filhos e seguiram uma trajetória acadêmica. De fato, há ex-integrantes da ANA atuando como professores atualmente na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), PUC (Pontifícia Universidade Católica) e Unifesp, entre outras.

  1. Venezuela e Colômbia: Constituição do grupo

Em uma aula sobre Cuba em curso que ministro na Unifesp, mencionei a experiência do Bras Cuba. Ao final, alguns alunos me procuraram para sondar a possibilidade de realizarmos algo similar nos marcos do curso de Relações Internacionais desta universidade. Tendo como referência a experiência original do Bras Cuba, que demandou intenso envolvimento dos participantes, sobretudo dos quatro proponentes da ideia, sugeri conversarmos sobre a proposta, mas desencorajei a escolha de Cuba como destino inicial por motivos práticos.

Nestas reuniões, a Venezuela emergiu como uma possibilidade motivadora, em função do processo de mudança social vivenciado pelo país desde a eleição de Hugo Chávez em 1999. No início de 2014 a conjuntura venezuelana voltou a se polarizar, agravada por indícios de crise econômica. Como ocorre nestas situações, a cobertura da grande imprensa brasileira se assemelhava antes a uma torcida de futebol, desejando o fim do processo bolivariano, do que a uma análise ponderada dos fatos. Ao interesse político despertado pelo país somou-se uma consideração de ordem prática: a presença do veterano viajante Pedro Barros à frente da missão brasileira do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em Caracas, indicava uma possibilidade de apoio concreto para construir a agenda no país.

No entanto, alguns alunos mostraram igualmente interesse em conhecer melhor a realidade colombiana. Nas aulas em que este país é abordado em meu curso, causa surpresa aos estudantes tomar contato com a intensidade e a longevidade da violência, que marca a história do país e se traduz em uma repressão permanente aos movimentos sociais. Essa situação é descrita por alguns como uma “democracia genocida” (Giraldo: 1996).

A possibilidade de contrastar essas duas realidades (venezuelana e colombiana) foi sintetizada em texto posterior, que divulgou o seminário realizado na Unifesp no retorno da viagem, em setembro de 2014:

Originalmente partes de um mesmo país – cuja independência foi liderada pelo mesmo Simón Bolívar – Colômbia e Venezuela são as polaridades políticas do continente na atualidade. Embora alguns a descrevam como a ‘democracia mais antiga das Américas’, a política colombiana é marcada pela violência contínua desde o final dos anos 1940 e a repressão sistemática aos movimentos sociais tem perpetuado o conflito interno mais longevo do mundo. No plano internacional, o país é o principal aliado dos Estados Unidos na região, endossando sua ingerência militar ao mesmo tempo em que assina tratados de livre-comércio.

No outro extremo, embora estigmatizada pela grande mídia como um país antidemocrático, nenhum lugar do mundo promoveu tantas eleições nos últimos 15 anos como a Venezuela, nos marcos de um processo de mudança social autodenominado como “Revolução Bolivariana”. No plano internacional, o projeto desencadeado pela eleição de Hugo Chávez em 1999 pratica um discurso anti-imperialista e uma política de unidade latino-americana (Realidade Latino-Americana: 2014).

A partir desta proposta, divulgou-se a ideia da viagem para além da Unifesp, principalmente em redes acadêmicas vinculadas à temática latino-americana. O propósito da viagem foi descrito nos seguintes termos:

Pretende ser, ao mesmo tempo, uma experiência de formação política e uma oportunidade de pesquisa, guiada pelo ideário de unidade latino-americana. Participam pessoas de diversas áreas do conhecimento e em diferentes estágios da formação universitária (estudantes, doutorandos, professores). O critério de participação é a sintonia com a proposta da viagem (SANTOS, 2014).

Inspirada nas experiências anteriores no âmbito da Associação Nossa América, o projeto “Pedagogia da Viagem” se organizou em três etapas:

 

  • Formação: Preliminarmente, palestras (oito) abordaram os países focos da pesquisa; em suas discussões, o grupo mapeou interesses comuns e formulou questões que orientaram a pesquisa. Por fim, desenhou-se a agenda de visitas e de conversas na Colômbia e na Venezuela.

 

  • Viagem: Imersão na história e na conjuntura do país, a partir de agenda de conversas e visitas a lideranças políticas, intelectuais, movimentos sociais etc. Por meio desse grupo de estudos intensivo, se aprende não somente com os entrevistados mas também na vivência do país e no intercâmbio entre os colegas. Este processo criou um ambiente fértil e prazeroso de aprendizado.

 

  • Difusão: Os resultados da pesquisa foram apresentados a um público maior em palestras, debates e por meio deste livro.

 

  1. Processo de Formação

 A proposta de investigar dois países em uma mesma viagem representou um desafio não só do ponto de vista do processo de formação, mas também da logística. Embora vizinhos, a distância entre Caracas e Bogotá via terrestre exige mais de dois dias de viagem e o avião é caro. Tampouco tínhamos contatos na Colômbia, mas confiamos no vínculo com exilados colombianos no Brasil ligados a diferentes organizações sociais neste país, como Pietro Alarcón e Hector Mondragón, para construir uma agenda na Colômbia. De fato, o grupo contou com o apoio destes e outros colombianos no Brasil, que contribuíram, sobretudo, em atividades de formação. Para o sucesso da programação na Colômbia, mostrou-se decisiva a intermediação da doutoranda do curso de história da USP (Universidade de São Paulo), Carol Ramos, que colocou o grupo em contato com o setor internacional da organização Marcha Patriotica.

Do ponto de vista da investigação, a escolha de dois países supunha trabalho dobrado. Esta foi a primeira questão debatida quando o grupo começou a se delinear, integrado por participantes de distintas procedências e não somente da Unifesp. Em reunião no Prolam (Programa de Pós-Graduação Interunidades em Integração da América Latina), a maioria dos presentes optou por encarar este desafio (a opção por dois países), entendendo que a riqueza derivada da comparação entre as experiências compensaria as limitações ao aprofundamento da pesquisa.

De um ponto de vista prático, determinou-se que o processo de formação envolveria quatro discussões preparatórias sobre cada país, além de reuniões internas do grupo. Estas últimas tinham como propósito não somente encaminhar aspectos práticos da viagem, como data e hospedagem, mas também construir um ambiente de discussão e aprendizagem. A ideia era que a constituição do grupo apontasse para uma experiência de pesquisa e aprendizado coletivo, em contraste com a prática individualista que caracteriza a academia contemporânea.

Na primeira reunião foram delineados três parâmetros que constituíram o que chamamos de uma “pedagogia da viagem”:

  • Os estudos teriam que ser colados nos problemas da realidade. Seriam propostos nexos orgânicos entre as questões levantadas como objeto de pesquisa e os dilemas da realidade latino-americana, em contraposição à velha prática acadêmica autorreferida.
  • Os estudos teriam um sentido contrário à especialização e à divisão do conhecimento, com a participação de pesquisadores de formação variada e em estágios diversos da trajetória intelectual. Esta proposição se vincula à anterior, na medida em que os dilemas da realidade não se apresentam de forma segmentada, mas articulados como uma totalidade. Nesta perspectiva, participantes provenientes de diferentes formações acadêmicas e políticas enriquecem a reflexão coletiva, ao trazerem diversificados olhares sobre os problemas enfocados.
  • Clima de camaradagem na construção coletiva de conhecimento. Respeito ao dissenso. A formação da consciência crítica não deveria ser confundida com qualquer doutrinação. A ênfase na dimensão política da aprendizagem implicaria no estímulo a uma cultura de debate e respeito. A genuína problematização das realidades abordadas teria que supor humildade para aprender com a investigação; e generosidade intelectual para partilhar dúvidas e percepções ao longo do processo. Em suma, estimula-se o grupo a pensar junto.

Estas premissas pedagógicas significam que o objetivo do processo não é formar especialistas nos países em tela, mas estimular o pensamento crítico sobre a realidade latino-americana, na qual está inserido o Brasil. Nesta perspectiva, há poucos integrantes do grupo que tem pesquisas acadêmicas enfocando estes países. Quando isto ocorre, estes participantes muitas vezes enriquecem o grupo com seus conhecimentos prévios e referências bibliográficas ou contatos. Mas a principal contribuição que a viagem pode dar a pesquisas monográficas é ampliar o escopo da reflexão, estimulando nexos entre o problema recortado e as problemáticas gerais de interesse do grupo. Já que, por se tratar de um grupo de não especialistas de formação diversa, as problemáticas que unem e concedem sentido comum ao grupo referem-se aos dilemas da formação nacional na América Latina contemporânea.

Nesta perspectiva, às vésperas da viagem, o grupo reuniu-se para debater os problemas levantados a partir do processo de formação realizado até então. Houve reuniões distintas sobre cada lugar. No caso colombiano, foram sistematizadas, entre outras, as seguintes questões, que problematizam a especificidade do padrão de dominação de classes do país:

  1. Quais as raízes da singularidade do padrão de violência colombiano?
  • Por que as guerrilhas que floresceram nos anos 1960 (como em toda a América Latina) se perpetuaram até o presente (diferente do resto do continente)?
  • A violência como experiência instituinte: como lidar com ela no cotidiano? Há uma banalização da violência?
  • Como afeta a construção de conhecimento?
  1. A violência problematiza a legitimidade da democracia colombiana
  • No entanto, não aparece como tal, em oposição ao que ocorre na Venezuela – esta sim tratada como ‘ditadura’ nos grandes meios de comunicação.
  • Pode-se falar em uma ideologia da democracia? Prevalece a noção formalista do termo, privilegiando a igualdade formal? Seria um fetichismo da democracia?
  • Direito internacional escolhe ignorar o que ocorre na Colômbia: não há intervenção
  • Mas o Plan Colombia não pode ser interpretado como uma intervenção?
  • A violência consonante com os interesses dos EUA não aparece como tal.
  • Resistência armada legitima repressão, mas desarmada é impotente frente à repressão.

Dilemas:

  • Depor as armas é uma via para a paz ou abrirá caminho para repressão ulterior?
  • Como enfrentar o narcotráfico, quando ele domina a política e o Estado?
  • Que paz este Estado assinará?

No caso venezuelano, a problemática que sintetizou as inquietações do grupo foi a situação descrita por Celso Furtado como “subdesenvolvimento com abundância de divisas” (FURTADO: 2008), que desdobrou-se em três reflexões de ordem geral sobre o subdesenvolvimento, a saber, quais são os :

 1) Limites para a superação do subdesenvolvimento nos marcos burgueses, ou seja, dentro da ordem;

2) Limites para superar o subdesenvolvimento nos marcos do espaço econômico nacional;

3) Limites para superar o subdesenvolvimento nos marcos do padrão civilizatório prevalente;

Aplicadas especificamente ao caso venezuelano, esta problematização se traduz em uma reflexão sobre o alcance e os limites do processo bolivariano, sintetizada nos seguintes termos:

  • Compreender os dilemas vividos pelo governo Maduro à luz do alcance e limites do processo bolivariano, que remete às possibilidades e constrangimentos para a superação do subdesenvolvimento dentro da ordem;
  • Compreender os limites para a mudança social a partir da institucionalidade legada, limites esses que têm expressão: a) econômica (autodeterminação), b) social (padrão de luta de classes) e c) cultural (mimetismo cultural).

Em uma conjuntura internacional hostil a processos de mudança radical, essas questões se articulam aos dilemas: a) da integração regional; b) do caráter da(s) burguesia(s) na América Latina e c) da autoctonia (um padrão civilizatório próprio).

Evidentemente, em um grupo plural e cujo envolvimento é voluntário, há diferentes níveis de engajamento, que se expressam em maior ou menor participação nas atividades organizadas, não apenas durante a preparação mas também na viagem. Similarmente, é natural que a adesão de cada um à proposta resulte de uma convergência de diferentes motivações pessoais. Portanto, há uma sutil equação entre interesses pessoais e a proposta coletiva, que está assentada principalmente nas relações de confiança e cumplicidade construídas ao longo do processo. Nesta viagem, houve o caso de uma participante que optou por desvincular-se do grupo por motivos pessoais no início da viagem, mas também houve um aluno que teve problemas de saúde, cujo atendimento e participação até o final do processo foi assegurado pela solidariedade dos colegas. É impossível generalizar a experiência, mas os quinze dias de convivência entre Bogotá e Caracas – atravessando por terra países que enfrentam conflitos sociais importantes – foram marcados por relações de envolvimento e colaboração de todos os estudantes.

  

  1. A Viagem

Em consonância com os objetivos pedagógicos elencados, construíram-se em ambos os países agendas de visitas e entrevistas envolvendo movimentos sociais, acadêmicos e figuras políticas de destaque. Na Colômbia, a agenda foi organizada por companheiros da organização Marcha Patriotica, que acolheram o grupo com notável generosidade e disponibilidade, na melhor tradição do internacionalismo político. Quando nos perguntaram sobre os interesses do grupo, enviei uma relação de organizações e figuras públicas que gostaríamos de encontrar, levantadas em reunião anterior. Acrescentei o interesse por uma atividade cultural, citando o trabalho de companhias de teatro. Os companheiros da Marcha Patriotica contemplaram integralmente a agenda solicitada. Na noite de aniversário de Simón Bolívar, assistimos a uma peça sobre Manuelita Saenz, companheira de Bolívar, em La Candelaria. Além disso, organizaram nossa passagem por Barrancabermeja e assistiram ao grupo em eventos variados, como ocorrências médicas e perda de passaporte. Pode ser que sem eles a viagem tivesse se realizado, mas certamente não teria o mesmo brilho político e calor afetivo.

A agenda na Venezuela foi construída por integrantes da missão do IPEA no país. Eles encontraram, de modo inexplicável, tempo para nos atender em meio às múltiplas demandas geradas pela Cúpula do Mercosul, na mesma semana. Além de nos facilitar entrevistas e palestras, a convivência com estes técnicos, alguns deles vivendo há anos no país, foi uma extraordinária fonte de aprendizagem. Em minha opinião, o trabalho deste pessoal servindo ao governo brasileiro na Venezuela se aproxima do que poderia ser uma “diplomacia do século XXI” na América Latina.

Como ocorreu em Bogotá, também em Caracas passamos um dia em uma comunidade periférica, desta vez em companhia do vice-ministro das Comunas, Alexis Toledo. Como em Bogotá, também em Caracas houve a oportunidade de aproximação com professores da área de Relações Internacionais, a partir de eventos articulados pela professora Regiane Bressan, respectivamente na Pontificia Universidad Javeriana e na Universidad Central Venezolana. Um dos resultados desta aproximação foi a presença de docentes destas universidades em seminário realizado posteriormente no Memorial da América Latina.

  1. Retorno

De volta ao Brasil, houve uma reunião de balanço da viagem no final de agosto. A densidade das discussões realizadas na ocasião evidenciou a necessidade de um espaço de aprofundamento dos debates esboçados, permitindo decantar uma reflexão conjunta. Neste contexto, foi proposto um seminário que funcionasse como uma espécie de “ensaio aberto”, em que o grupo discutiria as principais temáticas suscitadas pela viagem em três mesas, em um evento aberto ao público.  Assim, o grupo dividiu-se a partir de três temáticas gerais, articuladas cada um por um professor da Unifesp: dilemas contemporâneos; violência, democracia e direitos humanos; relações internacionais e integração regional. A proposta foi que os grupos se reunissem previamente, trazendo a debate reflexões coletivas em torno dos temas avançados.

Simultaneamente, iniciou-se a organização de um seminário no Memorial da América Latina, aproveitando a presença em São Paulo de diversos professores que dialogaram com o grupo, principalmente na visita realizada à Pontifícia Universidad Javeriana, em Bogotá. Esta iniciativa concretizada em novembro de 2014 sinaliza a possibilidade de sedimentar relações acadêmicas, apontando para uma colaboração continuada entre instituições universitárias continentais.

Conclusão

Em “A condição humana”, Hannah Arendt sugere que toda ação criativa é caracterizada pela irreversibilidade e pela imprevisibilidade de seus desdobramentos (ARENDT: 1993). Acredito que este processo de formação envolvendo uma viagem a Colômbia e Venezuela tem as características de uma ação criativa. Portanto, mais além das realizações já consumadas, é possível que seus desdobramentos ainda não sejam todos visíveis, nem previsíveis. A percepção sobre os desdobramentos potenciais deste projeto exige um distanciamento dos acontecimentos, que só o tempo trará.

[1] Doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP). Professor do Curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde coordena o programa de extensão “Realidade Latino-Americana”, financiado pela FAP (Fundação de Apoio à Pesquisa, da Unifesp).

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