Exposição relembra Hiroshima, 70 anos depois da bomba

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O presidente do Memorial, João Batista de Andrade, e o presidente do Centro Cultural Hiroshima do Brasil, Yasuyuki Hirasaki, assinam Termo de Cooperação para evento que lembrará os 70 anos da explosão da primeira bomba nuclear na Segunda Guerra Mundial.

Há 60 anos um grupo de imigrantes japoneses da cidade de Hiroshima criava uma associação em São Paulo para apoiar os recém-chegados da cidade japonesa que havia sido vítima da primeira bomba atômica, jogada pela aviação norte-americana, em 6 de agosto de 1945. Logo depois chegava ao Brasil um menino de dez anos cuja mãe ainda o gestava no útero quando a terrível arma nuclear explodiu na então próspera cidade industrial de Hiroshima. A mãe de Yasuyuki Hirasaki estava a sete quilômetros do epicentro da explosão. Quis o destino que o menino nascesse – em abril do ano seguinte – bem de saúde e viesse ao Brasil para cumprir seu destino.

O menino Yasuyuki perdera familiares no ataque. Cresceria ouvindo falar do impacto da bomba atômica, da dor terrível de sua família e de seu povo. O menino Yasuyuiki aprenderia a deplorar todas as guerras. Hoje ele preside o Centro Cultural Hiroshima do Brasil, que está comemorando 60 anos, e promove uma série de ações pela paz mundial, sem ressentimentos e pensando sempre no futuro. A organização sem fins lucrativos abriu-se para a população em geral, independentemente da nacionalidade ou origem. Atuando no campo simbólico, ela tem plantado a “árvore da paz” nos centros de poderes, inclusive no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual de São Paulo.

Hirasaki mencionou que em 6 de agosto passado, Hiroshima recebeu a delegação de 96 países para

João Batista de Andrade (no centro) colocou o Memorial à disposição para a mostra sobre os 70 anos da explosão da bomba de Hiroshima. à sua esquerda, os senhores Yasuyuki Hirasaki, Yoshikazu Murakami, Elzo Sigueta e Carlos Morinaga, todos da Associação Cultural Hiroshima do Brasil, e pelo Memorial (à direita) José Irineu Ferraz (chefe de gabinete),  Pedro Arsenian (marketing) e Eduardo Rascov (jornalista).

 lembrar os 70 anos da explosão da bomba atômica na cidade, inclusive Caroline Kennedy (filha do ex-presidente John F. Kennedy) e atual embaixadora americana no Japão. “É preciso superar os traumas do passado, sem rancores, não só com os EUA, mas também com a Coréia e a China. Temos que pensar em construir um futuro juntos. Vamos em frente”.

Yasuyuki Hirasaki e outros membros do Centro Cultural Hiroshima do Brasil estiveram hoje na Fundação Memorial da América Latina para assinar um termo de cooperação que prevê uma exposição de fotos japonesas da Segunda Guerra Mundial, especialmente imagens de Hiroshima depois da hecatombe nuclear, e uma exibição de filmes alusivos ao tema.

A solenidade de abertura da exposição 70 anos do lançamento da bomba atômica em Hiroshima será no dia 24 de outubro, um sábado, a partir das 10 horas da manhã, na Biblioteca Latino-Americana, com a presença confirmada do prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, e do governador da província de Hiroshima, Hidehiko Yuzaki, entre outras autoridades. “É preciso que se lembre, sempre, o que realmente se passou em Hiroshima para que nunca mais se repita, nunca mais uma bomba atômica deve ser usada”, advertiu. “Foi uma tragédia que tem muito a nos ensinar”, gosta de repetir.

O evento será realizado em conjunto com a Associação Nagasaki do Brasil (Nagasaki recebeu a segunda bomba atômica americana, três dias depois, em 9 de agosto; as duas fizeram o Japão assinar a rendição incondicional e encerraram a Segunda Guerra Mundial) e a Associação Hibakusha do Brasil, entidades igualmente envolvidas no movimento de manutenção da paz mundial.

As ruínas de Hiroshima após a explosão atômica

A delegação nipônica foi recebida pelo presidente do Memorial, João Batista de Andrade, que ressaltou a importância da presença japonesa na América Latina e o valor simbólico da data, “que revela o peso dos conflitos e o sofrimento causado ao povo japonês. Em nome do humanismo, temos a esperança que isso nunca mais se repita”. O presidente do Memorial fez questão de  manifestar a alegria do Memorial por receber essa exposição, especialmente pelo congraçamento que ela possibilita entre os povos brasileiro e japonês.  Há somente em São Paulo cerca de um milhão e meio de descendentes de japoneses. “Essa é a maior cidade japonesa fora do Japão”, lembrou.

 

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Programação de filmes – Bomba Atômica 70 anos – entrada franca

Local: Sala Vídeo (Cineclube) – Pavilhão da Criativdade

Datas: de 3 a 8 de novembro

Dia 3 – Terça – feira – 19Hs.

Chuva Negra (Kuroi Ame) – Shohei Imamura – 1989, 123 min

Após a explosão da bomba atômica em Hiroshima em agosto de 1945, o empresário Shigemato atravessa a cidade com a mulher e a sobrinha, Yasuko. Anos depois, eles tentam achar um marido para a jovem, mas ela é rejeitada várias vezes por suspeita de ter sido contaminada pela radiação.

 

Dia 4 – Quarta-feira – 19Hs.

Nagazaki 1945 – O sino de Ângelus – 2005 – 80 min.

Trata-se de um longa metragem em desenho animado que retrata o dia 9 de agosto de 1945 e os 40 dias vividos pelo jovem médico Dr. Tatsuichiro Akitsuki, em Nagasaki. Após a explosão da bomba atômica, a 1,4km do epicentro, no hospital onde trabalhava. Akitsuki, apesar de ferido, deu assistência aos sobreviventes, juntamente com sua equipe, mas se vê fraquejado perante tamanha tragédia. Os acontecimentos daqueles dias mudaram sua vida e despertaram nele o verdadeiro amor pela humanidade. Trata-se de um filme que retrata a crueldade humana e o uso dos avanços científicos de forma desumana por meio das armas nucleares, mas também ilustra a busca incessante e necessária para a conquista da paz mundial. Um filme que discute ética, humanitarismo e valores morais na composição da sociedade contemporânea.

 

Dia 5 – Quinta-feira – 19Hs.

O Túmulo dos Vagalumes – (Hotaru no Haka) – Isao Takahata – 1988, 93 minutos

Uma trágica história sobre dois irmãos – Setsuko e Seita – que vivem no Japão durante a época da guerra que, após tornarem-se órfãos por causa do conflito (sua mãe morreu e seu pai está desaparecido), vão parar na casa de parentes. As coisas pioram quando vão viver em um abrigo no meio do mato. Quando Setsuko, a irmãzinha caçula, adoece gravemente, seu irmão deve se virar para conseguir ajuda para a menina, mas os tempos são difíceis e mesmo um pouco de comida pode ser difícil encontrar.

 

Dia 6 – Sexta- feira – 19Hs.

Rapsódia em Agosto (Hachi-gatsu no Kyōshikyoku) – Akira Kurosawa – 1991 – 97 min.

Enquanto seus pais vão visitar um parente doente no Havaí, quatro adolescentes japoneses ficam na casa de sua avó, em Nagasaki. A velha senhora ainda sofre com a perda do marido, quando a bomba atômica explodiu no local e a deixou viúva, assim como milhares de outras pessoas. Clark é um americano que, ao tomar conhecimento da perda, decide visitar a família e pedir desculpas pelo ocorrido, deixando frente a frente duas gerações diferentes sobre temas como o perdão e o arrependimento.

 

 

Dia 7 – Sábado – 17Hs.

Filhos de Hiroshima (Genbaku no ko) – Kaneto Shindo – 1952 – 97 min.

Obra-prima do cinema japonês. Um dos mais belos filmes já realizados na história do cinema, conta a vida de pessoas simples depois do horror da Segunda Guerra Mundial.

 

Dia 8 – Domingo – 17Hs.

Hiroshima, meu amor (Hiroshima, mon amour) – Alain Resnais – 1959 – 90 min

Uma atriz francesa casada veio de Paris para trabalhar num filme sobre a paz. Envolve-se com um arquiteto japonês também casado, cuja esposa está viajando. Nos dois dias que passam juntos várias lembranças vêm à tona. Ela conta que foi “tosquiada”, pois se apaixonou por um alemão quando tinha apenas 18 anos. Por ter amado um inimigo ela foi aprisionada por sua família numa fria e escura adega e agora, 14 anos depois, novamente sente o gosto de viver um amor quase impossível.

 

 

 

 

Praça da Paz (ao centro um prédio em ruínas que restou da explosão), Hiroshima hoje

Serviço:

Exposição 70 anos do lançamento da bomba atômica em Hiroshima Comemoração dos 60 anos da Associação Cultural Hiroshima do Brasil Período: 24 de outubro a 7 de novembro de 2015 Biblioteca Latino-Americana Victor Civita Terça a sexta, 9h às 18h, sábado 9h às 15h

fotos: Diego  Souza Carlos texto: Eduardo Rascov 

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