Nesta quinta, Favaretto debate a produção cultural na Ditadura

mar 27, 2014 Sem comentários

Golpe Militar - 50 anos: Memória, História e Direitos HumanosO professor Celso Favaretto, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, aborda os processos culturais no período militar, que se por um lado eram amordaçados pela censura e perseguição aos artistas, por outro lado modernizaram a cultura .

Golpe Militar – 50 anos: Memória, História e Direitos Humanos. Este é o título oficial do ciclo de eventos que atualizam a reflexão sobre a Ditadura Militar brasileira. Exposições, debates e cinema fazem parte da agenda que lembram o início, o meio e o fim do período autoritário, conhecido como anos de chumbo da história do Brasil. As exposições e os debates serão realizados na Biblioteca Latino-Americana, com entrada gratuita ao público em geral. A iniciativa é uma parceria com a Unesp (www.cedem.unesp.br)  e o Memorial da Resistência (www.memorialdaresistenciasp.org.br). Nesses locais também será desenvolvida parte da programação.

O cineasta João Batista de Andrade, presidente do Memorial e realizador de alguns filmes que tematizavam e colocavam em questão o Regime Militar, declarou sobre esse processo histórico: “Há exatos 50 anos o Brasil iniciava um dos períodos mais tristes da sua história. A ditadura militar começou em abril de 1964 e foi até março de 1985. Foram 21 anos de autoritarismo, perseguição a opositores, tortura, censura à imprensa e às artes. No campo cultural, o clamor por liberdade foi amordaçado, mas os artistas lutaram com uma arma poderosa, suas consciências e engajamento político no teatro, na música, nas artes plásticas e no cinema. Experimentamos rara efervescência artística durante os tempos mais duros. Desde os anos 50 vínhamos redescobrindo, valorizando e sofisticando a cultura nacional. Oferecemos ao mundo artistas como Heitor Villa-Lobos, na música, Cândido Portinari, na pintura, Oscar Niemeyer, na arquitetura, Jorge Amado, Clarice Lispector na literatura, entre tantos outros. O início dos anos 1960 foi marcado por uma intensa renovação cultural, com a Bossa Nova, o Cinema Novo, o Teatro Novo, sempre com grande repercussão internacional. Com o fechamento do regime, os artistas usaram de muita criatividade para abrir brechas e resistir – inventaram um meio de se expressar. E finalmente a sociedade civil se reuniu e clamou por liberdade e abertura política com as diretas já nas ruas. O povo foi o protagonista dessa luta.”

No Memorial o evento está organizado da seguinte maneira:


Golpe Militar – 50 anos: Memória,
 História e Direitos Humanos


Debates

Local: Biblioteca Latino-Americana Victor Civita.

3 de abril, quinta, 18h30
Ditadura e Comunicação
João Brant e Diogo Moyses discutem o fim da liberdade de imprensa, a censura e o cerceamento do jornalismo no período. Grátis.

10 de abril, quinta, 18h30
Ditadura e Mídia
Eugenio Bucci e Gabriel Priolli discutem a instalação do aparato comunicacional – o marco regulatório, a agência de controle, a legislação – durante o regime militar e a relação com a consolidação do regime militar e a integração nacional. Grátis.

17 de abril, quinta, 18h30

Ditadura e Cultura

O professor Celso Favaretto (FE/USP) aborda os processos culturais no período. A produção cultural brasileira explodia quando foi amordaçada pela ditadura militar. Mesmo assim germinou uma riquíssima produção cultural, que não se furtou de se colocar a serviço da resistência. Grátis.

24 de abril, quinta, 18h30

Ditadura e Educação

A professora M. Rita de Almeida Toledo (Unifesp) discute o “projeto” educacional do ciclo militar e suas implicações no ensino brasileiro atual. Grátis.

Exposições

1º a 30 de abril
Direito à Memória e à Verdade
Com o subtítulo “a ditadura no Brasil 1964 – 1985”, a mostra traz fotos que marcaram a resistência democrática ao período autoritário. Organização: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Unesp e Instituto Vladimir Herzog. Local: Biblioteca. Horário: Seg. a sex. 9h – 18h, e sábados., 10h – 17h.

1º a 30 de abril
Visões do golpe de 64 – a ditadura militar e seus desdobramentos
Exposição de livros sobre a ditadura militar que fazem parte do acervo da biblioteca do Memorial. Local: Saguão da biblioteca. Horário: Seg. a sex, 9h – 18h, sábs. 10h – 17h. Grátis.

12 de abril, sábado, 11h
Reflexões sobre as ditaduras na América Latina
Oficina de artes ministrada por Cândida Godoy. Trabalha o exercício do olhar e a experiência do fazer, operando elementos plásticos, construção de imagens e formas a partir do universo das ditaduras latino-americanas. Local: Espaço Ateliê/Galeria Marta Traba. Informações: 3823.4671, 4705 e educativomartatraba@gmail.com . Grátis.

 

Literatura

24 de abril, quinta, 18h30
Pau de Arara: a violência militar no Brasil
Lançamento pela Fundação Perseu Abramo do livro de Bernardo Kucinski e Ítalo Tronca, publicado anonimamente em 1971 na França. Considerado a primeira denúncia internacional sistemática da tortura praticada no Brasil.


Música

5 de abril, sábado, 18h
Daniel Groove
Além das novidades e surpresas, o cantor e compositor cearense radicado em Sampa apresenta canções de seu disco Giramundo, que flutua entre o rock, o brega e a MPB. Local: Praça do Memorial.

5 de abril, 20h
Bloco na Rua
Show em tributo a Sergio Sampaio com Tatá Aeroplano e Gustavo Souza (Cérebro Eletrônico), Juliano Gauche (Solana), Gustavo Galo e Gustavo Cabelo (Trupe Chá de Boldo) e Meno Del Pichia (Druques e Zé Pi). Local: Praça do Memorial.


Cinema

Cineclube Latino-americano: 50 Anos da Ditadura Militar
Como, em meio a cerrada censura, foi possível realizar filmes que tematizavam a ditadura e deixaram registros históricos e culturais para as gerações posteriores?

2 de abril, quarta, 20h
São Paulo, Sociedade Anônima (1965, Luís Sérgio Person)
Carlos é um jovem que se beneficia da euforia desenvolvimentista provocada pela instalação da indústria automobilística estrangeira no Brasil nos anos 50. Bom emprego, família “feliz” e vazio existencial. O que fazer?

5 de abril, sábado, 17h
O Bravo Guerreiro (1968, Gustavo Dahl)
Deputado da oposição (Paulo César Peréio) troca de lado e se torna governista. Quer mudar o sistema por dentro. Decepcionado, toma medidas mais drásticas.

9 de abril, quarta, 20h
Hitler Terceiro Mundo (1968, José Agrippino de Paula)
Expoente do Cinema Marginal, foi filmado na clandestinidade no auge da ditadura militar, coincide com a instauração do AI-5.

12 de abril, sábado, 17h
Exibição dos documentários abaixo, seguido de debate com a Comissão da Verdade da UNE, promovido pela Fundação Perseu Abramo:

De Mãos Dadas (Ivan Vianna e André Lázaro, 1981, 30min)
Os anos passaram (Peter Overbeck, 1968, 30min)
O Apito da Panela de Pressão (DCEs USP e PUC, 1977, 30min).

16 de abril, quarta, 20h
Matou a Família e foi ao Cinema (1969, Júlio Bressane)
Considerado um marco do cinema underground nacional, o filme tem vários episódios correlatos em que os personagens procuram a morte como o ápice para as suas paixões.

 19 de abril, sábado, 17h
Tudo Bem (1978, Arnaldo Jabor)
O filme investiga em um apartamento de classe média, num tom de sátira e ironia, as contradições da sociedade brasileira.

23 de abril, quarta, 20h
A Dama do Lotação (1978Neville de Almeida)
Casal tem problemas na noite de núpcias. A mulher começa a fazer sexo com homens que não conhece, que encontra andando de lotação (ônibus).

26 de abril, sábado
Pra Frente Brasil (1982, Roberto Farias)
Jofre Godoi da Fonseca é um pacato trabalhador de classe média que, ao dividir um táxi com um militante de esquerda, é tido como “subversivo” pelos órgãos de repressão.

30 de abril, quarta, 20h
Beth Balanço (1984Lael Rodrigues)
Entre sexo, drogas e rock and roll, o filme traça um panorama do rock brasileiro dos anos 80. A trilha sonora foi composta por Cazuza e gravada pelo  Barão Vermelho.

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