Sobre o restauro das obras do Auditório Simón Bolívar

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As obras de arte que sofreram danos decorrentes do incêndio no auditório Simón Bolívar, Memorial da América Latina, já têm o parecer técnico do perito em arte Cézar Olandim. Primeiro, ele analisou o painel de telas Agora, do artista cuiabano Victor Arruda. Essa obra fica próximo à entrada do auditório, onde são realizados os eventos, e nela foram encontradas manchas características de vinho, tinta e fuligem, que no restauro são chamadas de sujidades.

O restaurador fará a remoção técnica da obra para avaliar onde serão os pontos de fixação. “Depois, a limpeza na superfície, avaliação de todos os danos e das várias remoções”. Segundo ele,  cada remoção de sujidade impregnada na pintura tem um procedimento e um tipo de material apropriado, pois, na maior parte dos casos, elas têm origens distintas.

Já sobre a escultura  A Pomba,  de Alfredo Ceschiatti, o especialista diz que o processo será mais complicado. “Ela pegou uma alteração de pátina decorrente do excesso de calor que recebeu. Será movida a sujidade da obra, porém essa alteração da cor jamais vai ser reversível”. A obra será limpa, estabilizada e polida novamente para ficar o mais próximo possível do original, mas continuará com resquícios do incêndio, diz o perito.

Restauração do AuditórioAs mudanças, explica Olandim, “não degradam e nem desvalorizam. Virarão elementos de composição, que vão fazer parte da história”. Questionado sobre quanto tempo levará para concluir o seu trabalho, ele comparou a restauração a um processo cirúrgico: “Só quando começa o trabalho é que se consegue mensurar a extensão do dano e, com isso, o tempo que você vai levar”.

Além dessas duas obras foram avaliadas algumas peças de madeira, esculturas de artistas populares, que vão passar pelo mesmo processo. Olandim fez, dentro do Memorial, a restauração do painel “Cenas e Sonhos Latino-Americanos I e II”, do artista plástico Sérgio Ferro (hoje a obra pode ser vista na estação Vila Prudente do metrô) e em mais de 20 obras dentro do Pavilhão da Criatividade. Mas a obra que ele considera a mais importante em seus 38 anos de carreira, é o restauro do Painel Tiradentes de Candido Portinari, no Salão dos Atos, feito em 2011.

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