Cem anos de Vinícius de Moraes

out 16, 2012 Sem comentários

Nascido em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro, Vinícius de Moraes foi músico, compositor, jornalista, dramaturgo, diplomata, escritor e poeta.

O “poetinha”, como foi apelidado por Tom Jobim, escreveu seus primeiros versos enquanto ainda estava na escola. Também durante o período letivo, fez parte do coral do Colégio Santo Inácio e montou pequenas peças teatrais.

Através do contato com os irmãos Haroldo e Paulo Tapajós, começou sua carreira de compositor, em meados dos anos 1920. Em 1929, ingressou na Faculdade de Direito do Catete, aonde conheceu o romancista Otavio Farias, que o incentivou à produção literária. Até o dia de sua morte, em oito de julho de 1980, foram registrados 18 livros e mais de 450 poesias sob a autoria de Vinícius.

Como músico, escreveu mais de 300 canções, entre composições próprias e parcerias com grandes nomes da música popular brasileira, como Tom Jobim (com quem escreveu “Garota de Ipanema”, “Eu sei que vou te amar”, “Chega de Saudade”, entre outras), Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque, Dorival Caymmi,Carlos Lyra, entre outros.

Além disso, trabalhou como jornalista, tornando-se crítico de cinema do jornal “A Manhã” e colaborando para a revista “Clima”, em 1941, e idealizando a revista “Filme”, lançada em 1947, em sociedade com o crítico e cineasta, Alex Vianny. Vinícius também atuou como diplomata por alguns anos. Em sua segunda tentativa, foi aprovado no concurso para o Ministério das Relações Exteriores, em 1943, mudando-se primeiramente para Los Angeles (EUA) e depois para Paris (França) e Roma (Itália).

Como dramaturgo, Vinícius escreveu as peças “As Feras”, “Cordélia e o Peregrino”, “Orfeu da Conceição” e “Procura-se uma Rosa”, inspirada em uma notícia veiculada na imprensa carioca, que abordava a história de uma mulher que se perdeu do marido em uma estação de trem e nunca mais voltou.

Mas foi para a música que Vinícius viveu os últimos tempos de sua vida, excursionando pelo mundo todo ao lado de seus companheiros e de sua garrafa preferida de whisky. Suas canções foram traduzidas para diversos idiomas e são tocadas até hoje no Brasil e em vários outros países.

Tudo que se escrever sobre Vinícius de Moraes parece pouco e defini-lo beira o impossível. Manuel Bandeira disse que ele “tem o fôlego dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a perícia dos parnasianos (sem refugar, como estes, as sutilezas barrocas) e, finalmente, homem bem do seu tempo, a liberdade, a licença, o esplêndido cinismo dos modernos” (citado por Flávio Pinheiro, no site oficial do poeta, www.viniciusdemoraes.com.br). A perplexidade poética expressa em seu poema “Fim” permanece viva e é a de todos nós:

 

Será que cheguei ao fim de todos os caminhos

E só resta a possibilidade de permanecer?

Será a Verdade apenas um incentivo à caminhada

Ou será ela a própria caminhada?

Terão mentido os que surgiram da treva e gritaram – Espírito!

E gritaram – Coragem!

Rasgarei as mãos nas pedras da enorme muralha

Que fecha tudo à libertação?

Lançarei meu corpo à vala comum dos falidos

Ou cairei lutando contra o impossível que antolha-me os passos

Apenas pela glória de tombar lutando?

Será que eu cheguei ao fim de todos os caminhos…

Ao fim de todos os caminhos?

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