Campeões e vice-campeões mundiais de 62 são homenageados no Memorial

jun 25, 2012 Sem comentários

Hoje pela manhã o Memorial viveu um desses momentos tão ricos de simbolismo e emoção que nunca mais será esquecido por quem dele participou. Para marcar os 50 anos da conquista da Copa do Mundo de 1962 pelo Brasil foram homenageados os heróis brasileiros daquela jornada e seus oponentes, os valentes jogadores da então República da Tchecoslováquia. Gilmar, Mengalvio, Coutinho, Zagallo, Djalma Santos, Pepe e Jair da Costa (foto ao lado), mais Altair, Amarildo e Jair Marinho (que chegaram depois) receberam uma placa e o livro “Chile 62 / 50 anos”. O mesmo aconteceu com os craques tchecoslovacos Janu Lálovi, Jirímu Tichému, Josfu Jelínkovi, Josef Masopust, Josefu Stibrányi e Václav Maskovi. Só faltou Pelé. A iniciativa – que inclui uma exposição de fotos, da Taça Jules Rimet (réplica de ouro, pois a verdadeira, como se sabe, foi roubada e derretida) e videotape completo do jogo – é do Ministério dos Esportes e do Itamaraty, com o apoio da CBF e da Associação dos Campeões Mundiais.

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Zagallo, com seu jeito “vocês vão ter que me engolir” de sempre, era um dos mais animados da festa. Ele explicou que a partida contra a Tchecoslováquia foi muito difícil porque o time adversário era firme, na primeira partida haviam empatado e eles estavam sem o Pelé. “Mas a gente era muito experiente, quase todo mundo tinha mais de trinta anos, jogou praticamente o mesmo time de 58 e o Garrincha estava em grande fase. Ninguém conseguiria tirar o título da seleção canarinho”. Ele e os outros campeões pareciam meninos, um pouco cansados, é verdade, mas ainda cheios de energia e alegria pueril, “que certamente contagiará os preparativos para a próxima copa aqui no Brasil”, comentou Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF.

O encontro do artilheiro europeu Masopust com o goleiro brasileiro Gilmar, 50 anos depois da Copa do Mundo do Chile, foi um dos momentos pungentes da cerimônia. “Não imaginava encontrá-lo numa cadeira de rodas”, disse à Linda Messias, vice-cônsul tcheca. Masopust fez o primeiro gol nele, naquela final da Copa do Chile. “Por dois minutos nos sentimos campeões do mundo”, comentou. Pena – para eles – que logo em seguida Amarildo faria o gol que iniciaria a virada histórica (a partida acabou em três a um, com gols de Zito e Vavá). Como a todos, a idade também cobra um preço a Masopust, cuja mão direita paga um tributo incessante ao Parkinson.

Masopust é uma lenda viva em seu país. Lá foi criada uma Associação de Amigos do Masopust, que lhe presta homenagens e o apoia no que for preciso. Trata-se de um caso raro, senão o único, de uma associação autônoma que reverencia e ajuda um ex-jogador de futebol ainda vivo. Por exemplo, foi essa associação que custeou a passagem de ida e volta do craque centro-europeu de 81 anos. Ela também vai inaugurar uma estátua do ídolo e recentemente lançou um livro contando sua trajetória.

No Brasil Masopust também é respeitado pelo ato de grandeza em relação a Pelé, na primeira partida entre Brasil e Tchecoslováquia no início da Copa do Mundo (os dois países caíram na mesma chave). O Rei do Futebol se machucou no jogo e mal podia andar, mas permaneceu em campo porque não havia substituição. “Vi que o Pelé recebeu a bola na direita do campo e corri até ele, mas quando caiu a ficha que o brasileiro estava machucado, brequei a dois metros dele… e esperei ele fazer o passe”, contou Masapust. “Sempre defendi o fair play no esporte”. Quando soube que seu ato foi descrito pelo poeta Tiago de Mello como “o maior gesto de solidariedade que ele já presenciou” e que essa história é usada como exemplo de civilidade no Brasil, os olhos de Masopust encheram-se de lágrimas. É sempre bom, na maturidade, ter confirmado o acerto de seus passos e renovada a certeza de ter tomado a decisão certa na vida.

Milan Gicáñ, embaixador da República da Eslováquia comentou que em seu país esse jogo também permanece na memória viva do seu povo até hoje. “Naquele tempo, os jogadores do Brasil faziam tremer as pernas dos rivais, mas nós pudemos mostrar nossa capacidade e preparação física. Muita coisa mudou desde então, mas não a paixão pelo futebol, que permanece a mesma”. Já Viktor Dolista, cônsul da República Tcheca em São Paulo, lembra que a Tchecoslováquia também foi vice-campeã mundial em 1934. Em ambos os casos, os jogadores foram recebidos como heróis e campeões. “Tenho a honra de participar da alegria e da energia desse evento. É impressionante como o futebol tem a capacidade de juntar, de unir povos, de promover a amizade”, concluiu.

 O Ministro do Esporte Aldo Rebelo puxou pela memória uma das suas primeiras lembranças, quando ele tinha seis anos. Era o ano de 1962 e seu

O Prefeito Kassab, o Ministro Aldo Rebelo, o Secretário de Esportes Benedito Fernandes e o Diretor de Seleções Andres Sanchez homenageiam Pepe

pai, lá na roça do interior de Alagoas, comprou um rádio para ouvir a Copa do Mundo. “E toda vez que o Brasil fazia um gol ele estourava fogos e dava uns tiros para o alto com a sua winchester”. O menino mora dentro do homem e de vez em quando sai para jogar uma pelada. Por fim, o ministro disse aos campeões que cada brasileiro gostaria de estar ali no lugar dele para agradecer pessoalmente pela alegria que eles lhes proporcionaram. Sim, é verdade. Obrigado, eternos campeões.

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Por Eduardo Rascov
Fotos Luiz Tristão e Eduardo Rascov

Serviço
Exposição Cinquentenário da Copa do Mundo de 62 – Chile
Local: Salão de Atos Tiradentes
Período: 26 de junho a 9 de julho de 2012
Horário: terça a domingo, das 9h às 18h
ENTRADA FRANCA

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