Exposição “Passato Immediato” é inaugurada com a presença de artistas

jun 29, 2012 Sem comentários

 De longe já se vê. Marcas de pneus sobem pela parede envidraçada da Galeria Marta Traba. Trata-se da obra “Bianca” da artista brasileira Regina Silveira. De origem italiana por parte de mãe (o seu nome do meio é Scalzilli), Regina Silveira criou especialmente para o Memorial uma obra da série “Derrapagens”. Ela participa da mostra “Passato Imediato – Presença Italiana na Arte Brasileira”, que foi inaugurada em 28 de junho e vai até 19 de agosto.

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         “Trouxe uma obra gráfica e digital, realizada em um grande adesivo”. Regina Scalzilli Silveira já adesivou o MAM e outras instituições de São Paulo, de Montevidéu, de Porto Rico e várias localidades pelo mundo. “Essa série se relaciona com os vestígios deixados pelos acidentes de carro. E uma metáfora para a velocidade e a invasão dos automóveis, das máquinas, da tecnologia”.

         Outros cem artistas estão presentes na mostra idealizada pelo  historiador de arte e crítico João Spinelli, que fecha o “Momento Itália Brasil”

Os artistas Ana Alice Francischetti, Christophe Spotto, Francisco Maringelli, Tatiana (representando seu avô, o artista plástico João Rossi, Regina Silveira e Marco Stellato.

em São Paulo. O curador fez uma extensa pesquisa e ampliou a percepção da presença italiana no Brasil. “Quase todos os países da América receberam imigrantes italianos (principalmente no final do séc. XIX e início do XX). Esses imigrantes estavam em situação econômica precária. Acreditava-se que todos eram pessoas simples, sem estudos.  Mas, o que não se diz porque não se sabe, é que  uma boa parte tinha formação acadêmica, inclusive estudado nas principais universidades da Itália. Naquele tempo o café estava patrocinando o grande desenvolvimento da cidade, os italianos nesse momento vão contribuir decididamente, não só os que eram arquitetos, engenheiros, mas os que tinham formação técnica. Como os fachadistas, especialistas  no revestimento de fachadas, que trabalharam na decoração dos palacetes dos barões do café” , contou Spinelli na vernissage.

         João Spinelli catalogou pelo menos quatro mil artistas italianos ou seus descendentes com presença importante na Arte no Brasil, que vai do

O curador João Spinelli é entrevistado pela TV Cultura na abertura da exposição

século XVI ao jovem Tiago Honório, cujo tataravô era italiano. “E os filhos dele vão continuar essa linhagem”, sem falar nos novos artistas italianos que estão chegando. Em sua fala na abertura, o presidente do Memorial, professor Adolpho Melfi destacou as instituições parceiras – como o Itaú Cultural, o Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi, o MAC, a Pinacoteca, o Acervo Artístico e Cultural dos Palácios do Governo – as várias galerias e as coleções particulares. “Essa adesão ao projeto só demonstra e reforça a confiança em nossa instituição”, declarou.

           O fotógrafo Gal Oppido, que participa da mostra, não pode comparecer por estar na Alemanha. Mas ele mandou uma representante interessante: a própria italiana Fiorella Bianchi, que serviu de modelo para a obra que ele mandou ao Memorial. E ela quem está na foto ao lado abaixo. “Cheguei ao Brasil com 7 anos, vim da localidade de Compovazo”, contou Bianchi, que trabalha com decoração. A foto foi tirada em seu apartamento, na Moóca. Por que não dizer que ela era a presença viva da arte italiana no Brasil?

           Fiorella Bianchi posa diante da foto em sua casa: jogo de representaçõesUm dos presentes foi o artista plástico e professor da ECA-USP Evandro Carlos Jardim. Ele comentou o sentido dessa exposição: “Acho que a arte italiana se liga à grande tradição, não de repetição, mas de força vital de geração para geração. E em São Paulo, especialmente, você tem a presença muito forte de italianos como Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi, responsáveis pelo Masp, e de Cecillo Matarazzo, criador da Bienal e do acervo do MAC”. Para Evandro, quem quiser pensar a arte brasileira não pode desprezar a presença italiana e a europeia no sentido amplo, bem como a americana em meados do século XX. “Essas e outras influencias geraram uma outra forma de ver e criar que poderíamos chamar de Arte no Brasil”, raciocina o professor.

Serviço
“Passato Immediato – Presença Italiana na Arte Brasileira”
Período: 29 de junho a 19 de agosto
Inauguração: 28 de junho, 19h
Horário: Terça a domingo, das 9h às 18h,
Galeria Marta Traba
ENTRADA FRANCA

Leia o texto do curador João Spinelli

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Texto e fotos Eduardo Rascov

Arquivo Notícias
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