Paraguaios de São Paulo comemoram a Independência de seu País

mai 22, 2012 Sem comentários

Em 14 de maio passado, a Fundação Memorial da América Latina recebeu as comemorações do Dia  Nacional do Paraguai. Era o 201º aniversário da Declaração de Independência de Assunção, após não aceitar ser anexada por Buenos Aires. O consulado do Paraguai convidou antigos e novos paraguaios moradores de São Paulo. O que se viu no Auditório Simón Bolívar foi certa elite paraguaia muito bem integrada à sociedade brasileira. E um grupo de jovens recém-chegados ao Brasil. Todos vieram prestigiar a dança, a música e a gastronomia de seu país.

O anfitrião foi o cônsul geral do Paraguai em São Paulo, o embaixador Oscar Rodolfo Benítez Estragó, que recebeu os convidados ao lado do presidente do Memorial, Antonio Carlos Pannunzio (de gravata vermelha, na foto abaixo). Prestigiaram a noite principalmente cônsules e membros do corpo diplomático latino-americano acreditado em São Paulo, mas não só. Uma das surpresas foi a presença do cônsul geral da India, G. V. Srinivas (à direita, na foto ao lado). Recém-chegado ao Brasil, ele se mostrou surpreso com a arquitetura de Niemeyer, não sem antes afirmar que seu país é repleto de templos igualmente belos, só que muito mais antigos. “A Índia é o país dos templos”, comentou. Srinivas gostou tanto do Memorial que teve a ideia de trazer para o Auditório Simón Bolívar a comemoração de Independência do seu país. “Seria algo parecido a essa festa do Paraguai, com música, dança e gastronomia típicas”.

Mas a atração da festa foram os paraguaios simples, a maioria deles muito jovens, que apresentaram ritmos e danças tradicionais, alguns deles equilibrando jarros de argila na cabeça. Calcula-se que no estado de São Paulo viva para mais de 30 mil paraguaios. Bernardino Cavallero (foto à direita) é um deles. Ele imigrou aos 19 anos em 1992 em busca de “melhoria de vida” e hoje trabalha no ramo de confecção. Diz que valeu a pena, aqui se casou com uma paraguaia, com quem tem um filho de 9 anos. Bernardino apenas sente falta de falar sua língua materna. “Sou do interior do Paraguai e lá se fala mais o guarani. Eu mesmo sei falar melhor o guarani do que o espanhol”, ele confessa.

Carlos Marín e sua esposa Diana (foto à esquerda) chegaram ao Brasil há 18 anos. Ele havia acabado de se formar em medicina, em Assunção, e conseguiu uma residência médica em São Paulo, no Hospital das Clínicas. Aqui Carlos se especializou em ortopedia, aqui nasceram seus dois filhos, hoje adolescentes. O menino acorda cedo para assistir as aulas do cursinho. Ele quer passar no vestibular de Medicina, como o pai. Já a menina estuda balé em uma escola da Vila Madalena. A família mora retirada em Aldeia da Serra. Carlos veio para ficar apenas 4 anos, até completar sua formação. Era o ano de 1994. “Dizia para mim todo dia que ia voltar, estava morrendo de saudades. Queria ter mais contato com a natureza, com animais. Em São Paulo, morava em apartamento. Não gostava”. Mas pensando nas crianças, já tão adaptadas, foi ficando. Hoje a família circula entre os dois países, mais a Argentina, onde mora a avó materna dos meninos.

 Monica Sanchez chegou ao Brasil há apenas doze meses. Sua irmã (as duas na foto à direita) já estava em terras paulistanas há quatro anos quando chegou. “No início me sentia muito confusa e sozinha. Ficava triste porque não tinha o que fazer”, conta Monica. Até que ela descobriu o grupo de dança Alma Guarani, que inclusive se apresentou no Memorial nessa noite. “Aqui pude retomar uma coisa que fazia em meu país, que é dançar, e agora está mais fácil se adaptar”. Sua irmã, Carol, que trabalha como ajudante de confecção, diz que veio ao Brasil para estudar, “pois em meu país era muito difícil”, mas até agora ela não conseguiu, pois gasta todo o tempo trabalhando.

 Já Pamela veio a São Paulo a passeio. Ela estuda fonoaudiologia em seu país e mora em Lambari, um município da grande Assunção. Pamela também gosta de dançar e estuda balé clássico e danças espanhola, paraguaia e latinas em geral. Aqui está hospedada no Colégio Companhia de Maria, onde sua irmã, freira, serve. Pamela também está pensando em se transferir um dia para o Brasil, país que tem atraído cada vez mais latino-americanos, que chegam e disputam espaço com africanos e europeus.

Texto e fotos Eduardo Rascov

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